quinta-feira, fevereiro 10, 2005

instruções para a construção de vietnamita

A presente edição trazao grande público um opúsculo caté à data foi apenas conhecido ao nível dos padrões. Os padrões dominãtes evitaram durante cerca de cinquentanos cuhomem comum tomasse conhecimento dele. Porquê? É possível questa renitência derivasse das circunstâncias de vida do seu primeiro trãscritor. Com efeito, Daniel Tércio pertencera, duranta juventude, ao Movimento Reorganizativo da Comunicação (MRC), um movimento radical que pugnava pela intensificação exponencial do ruído. O objectivo desse pequeno grupo não era bem de natureza terrorista, embora alguns estudiosos mais ciosos darrumações académicas incluam o Movimento nas organizações anarco-terroristas anti-eco-lógicas. Esta confusão - e imprecisão - deriva do facto do tal grupo pugnar pelo ressurgimento dos media de comunicação, como ascrita sobre derivados vegetais. Porém, o consumo irracional de fibras vegetais não era deliberado, mas, por assim dizer, efeito secundário do projecto em questava envolvido. O combate, para utilizar aspressão adoptada pelo MRC, prosseguia em duas frentes: um, sobregarregar a rede, dois, reinventar os meios de comunicação artesanal. Na primeira frente, o MRC patrocinou os chamados hackers de Câncer, quem vez de dinamitarem a net, promoveram o seu crescimento desmesurado. Na segunda frente, o MRC alcançou resultados insólitos no plano editorial. Alguns destes, como o "Manual para a realização de sinais de fumo", parecem exercícios de retorironia. Outros, como "Instruções para a construção de vietnamita", cagora se publica, ou "As mais belas cartas damor", constituem instrumentos preciosos para quem quiser comunicar pelo exterior da net. Tudisto seria irrelevãte se não se desso caso das Intruções terem sido assinadas por Daniel Tércio, com a chancela do MRC, num período em que o Movimento estava já em acentuado declínio. Da primeira edição das Instruções desconhece-se o número dexemplares efectivamente publicados, mas seguramente não foi além dos 50. A edição foi realizada infolio vegetal, por meio duma vetnamita rudimentar. Usou-se tinta negra de secagem lenta, de que resultou umimensa quantidade de ruído sobre as folhas impressas. Sabe-se hoje, graças às revelações do famoso XTPO, o padrão renegado, que, pela mesma época, As Instruções foram introduzidas na net, no endereço http://www.mrc.com/^dter/luar.pt para logo serem enclausuradas num nicho prisão pelos padrões dominãtes. Assim, as Instruções foram mãtida no limbo, o quequivaleu a serem ignoradas pelo grãde público. As cópias sobre suporte vegetal foram desaparecendo com o correr do tempo, tãto por causa das contigências dos materiais artesanais, como por causa da ignorância dos manuseãtes, que eram, provavelmente, na generalidade dos casos, tremendos analfabetos. As duas cópias hoje catalogadas pertencem, ambas, a um ilustre coleccionador de literatura de FC, que dá pelo nome de de Barreiros. Esta pessoa conservou as duas cópias do manuscrito (na verdade, pode considerar-se "manuscrito", já ca impressão artesanal era realmente manual) durante o período em cos padrões ordenaram a destruição de todas informações sobre suporte vegetal. Escusado é dizer coje, ultrapassado que está esse período negro, a ordem dos padrões continua a ser misteriosa. A tese comumente aceite pressupõe quessa ordem fazia parte da respectiva estratégia autocrática. Na lógica délite dentão, o poder era proporcional ao domínio dos fluxos de informação. Logo, rasg-rasg-rasg, crshtp. Espero fazer-mentender. Por outro lado, um dos aspectos mais interessantes das Instruções está em quelas podem sugerir uma resposta alternativa a esta tese. Imagine-sum livro contaminado por umentidade virulenta (designemo-la assim, à falta de melhor), virtualmente letal prà espécie humana. A ordem lógica é: destrua-so livro. Imagine-se que não se conhece exactamente qual é o livro. Ordem seguinte: destruam-se todos os livros, de moda conservar apenas a informação limpa na net. A título de curiosidade, foi por razão semelhante, co rei Herodes mandou degolar todos os meninos de colo de Belém. Há ainda uma hipótese perversa, híbrida das duas anteriores. Imagine-se que o livro é virulento porque dá aquela espécie de conhecimento de cos padrões têm uxclusivo. Ordem lógica: destrua-se este livro. etc., bzz-bzz.
Será cas Instruções são este livro?
Na verdade, comu leitor confirmará, as Instruções criam a possibilidade de produzir comunicação independente. E mais não será preciso dizer.
Na presente edição, consideraram-se as duas cópias do manuscrito conservado por de Barreiros, de modobter um resultado mais fiel. Para tãto, foram digitalizadas ambas as cópias, em sistema fechado, sem endereço na rede. Obviamente, não foi desta que se tevacesso ao nicho das x-files onde estão fechadas as Instruções. Como se sabe, a quarentena permanece, apesar dos padrões terem sido neutralizados. Continuamos certamenta sofrer as consequências desse período de domínio, e não é de todo absurdo cas acções de retirada dos padrões tenham contaminado a comunicação vulgar exterior à rede, nomeadamente gerando novas perturbações na descontinuidade semântica dos discursos.
O acesso ao nicho prisão da net nos próximos trintanos, pode vir a ser muitútil parencontrar a versão completa das Instruções. Com efeito, julga-se que o opúsculo impresso está incompleto. Provavelmente, porque algo correu mal com a cópia em vietnamita e a matriz artesanal se deteriorou irremediavelmente. Uma das cópias disponíveis apresenta duas folhas com abundantes sujidades de tinta no fim da página 2 , o qué indício quase certo derro do proto-sistema.
Por outro lado, também neste ponto não há certezas. Daniel Tércio, até à data considerado o transcritor das Instruções, pode ter sido o seu artesão. Isto é: um editor, no sentido primitivo da palavra! Até que ponto foi possível, nesses tempos de domínio dos padrões, a actividade subversiva dedição, só deus sabe. Que o dito pertenceu ao RMC não restam dúvidas. Há quem diga, que foi ele quintroduziu na net o proverbial juízo: OS PADRÕES SÃO UNS CABRÕES! É claro questa utilização do calão não abona a seu favor. Por outro lado, há quem diga hoje ca recusa do calão é um preconceito instalado nas consolas cerebrais pelos desaparecidos padrões. Não sei, não sei. Só sei càs vezes, mapetece pipitposnhrohncx.x. Pois. A etno-psiquiatra Medeiros, posta perante os dados biográficos de Daniel Tércio, pronunciou-se nos seguintes termos: no caso de Daniel Tércio ser o autor das Instruções, neste caso, disse ela, o opúsculo é uma parcela de obra mais vasta que ele não teve alento para concluir. Na mesma linha, mas mais radical, o neo-psicanalista Philip Saliv considera: o cabrão era um calão (Philip Saliv é dos que acreditam na naturalidade de praguejar).
Umoutra hipótese tem sido considerada por estudiosos como de Macedo. Partilhando a tese de incompletude das Instruções, de Macedo encara a possibilidade destas serem umespécie de fixação livre dantigos textos exotéricos. O argumento de de Macedo baseia-se nas pesquisas dhistória hermética que assinalam que todo o conhecimento tem uma parcela silenciosa e invisível.
Há finalmente quencarar a hipótese de Daniel Tércio ser a encarnação dum padrão deleitando-se nos jogos labirínticos das personalidades fragmentadas. Porque não o próprio XTPO, o padrão renegado?