sábado, fevereiro 05, 2005

outdoors do PSD

Em alguns dos outdoors do PSD figura um conjunto de conhecidos dirigentes do Partido Socialista. As imagens foram tratadas de modo a revelar fraqueza, hipocrisia, vilania e cinzentismo. O procedimento tem antecendentes históricos. Não exactamente em Portugal, mas sim na Revolução Cultural chinesa, durante a qual os dirigentes caídos em desgraça foram expostos como facínoras e pobres-diabos. Na Revolução chinesa (como em outras revoluções) a máquina assim posta em marcha foi triturando os antigos filhos dilectos, nomeadamente aqueles tinham sido os acusadores e que, num certo momento, passaram a ser vistos como traidores e vilões. Provavelmente, no caso lusitano, o procedimento não terá consequências similares. Desde logo porque não vivemos em revolução. Na verdade, muito provavelmente, alguns dos retratados (e enxovalhados) terão a curto prazo responsabilidades nos aparelhos de Estado. Ainda assim, é pena que não tenha outras consequências. Se eu tivesse a minha imagem exposta num outdoor, naquela forma, achar-me-ia no direito de processar quem a concebeu e a expôs. É certo que, não estando na política, eu sou dono e senhor da minha imagem pública. Porém, quererá isto dizer que os políticos não são donos e senhores das respectivas imagens públicas? Pelos vistos, é isso… Então, há que perguntar: porque é que o PSD pediu licença ao Prof. Cavaco para pôr a imagem dele num outdoor? No pressuposto de que ele não autorizou, porque é que o PSD não pespegou à mesma a sábia fachada do Professor? Pois se a dita é pública… Punham lá o homem, com ar inteligente, junto do muito perspicaz e magnânimo Santana.