domingo, março 20, 2005

exposição em Aveiro

texto alusivo à exposição QUATROTÉRCIOS, patente na galeria Enquadrar, em Aveiro, de 19 de Março a 9 de Abril.

Em As Cidades Mortas, o autor, Cliford D. Simack, imaginou uma família que permanece na Terra enquanto a humanidade emigra para Júpiter. Os Webster - era este o apelido da família - ficariam por cá para ensinar os cães a falar e para pôr os robôs em movimento. Os Webster podiam ser os Silvas se nascessem em Portugal. Mais dificilmente seriam os Tércios. Mais do que um nome – o de Tércio - o que une os quatro criadores que agora expõem é, por exemplo, terem lido As Cidades Mortas de Simack, apreciarem os filmes dos irmãos Cohen e terem herdado sucessivamente os velhos Cavaleiros Andantes do mais velho. Entre os quatro, é possível também que exista de comum uma certa inflexão nas hélices do DNA. É razoável mesmo que essa inflexão se tenha aromatizado nas águas da ria de Aveiro. O resultado está longe de ser homogéneo. Por isto, na verdade, esta exposição é um manifesto contra a clonagem. Se neste a pintura parece batida pelo vento, naquele cristaliza-se em personagens, toma a forma da ilustração, para logo, num terceiro, integrar a abtracção e, num quarto, a figuração narrativa. Decididamente, os tércios de que se fala não estão cá para ensinar os cães a falar nem tão-pouco para pôr os robôs em movimento. Quanto muito, gostariam que as linhas e os planos ganhassem a potência das palavras. Colocar as cores e as formas a dizer o mundo. Os seus mundos. Enfim, dizer a realidade de quatro maneiras diferentes.