quinta-feira, abril 28, 2005

revivalismo e "low tech"

Um dos aspectos mais estimulantes da cultura contemporânea tem a ver, na minha perspectiva, com a presença e por vezes associação do "low tech" e do "high tech". Dito de uma forma simplifcada, o "low tech" - ou baixa tecnologia - vem do passado. Um martelo, por exemplo, é "low tech" e um martelo pneumático é menos "low" que o anterior... A simulação de um martelo num sistema digital é "high tech".
A recuperação do passado para fins utilitários pode estar associada ao revivalismo.
Julgo porém que o revivalismo dos nossos dias é diferente do revivalismo do século XIX, normalmente associado à estética romântica. Na altura, escavavam-se por exemplo os imaginários medievais transferindo-os para o presente, para enriquecer este de um excesso de sombras. Os românticos apreciavam ambientes sombrios, na medida em que a escuridão (ou a penumbra) eram metáforas do desconhecido.
Hoje, a presença do revivalismo "low tech" funciona de outra maneira: não para acentuar o lado sombrio da vida, mas antes para preservar a largueza de horizontes. Os fãs das câmaras super8 normalmente não são avessos às camcorders digitais. Gostar de uma coisa não significa recusar a outra. Ou seja, as incisões pós-modernas não são realizadas com base num princípio tecnológico, mas sim com base num princípio de autenticidade.