domingo, maio 15, 2005

Atelier de teatro da Bauhaus

Os figurinos schlemmerianos podem ser classificados como contracções do espaço. Entre o corpo e o espaço de circulação desse corpo, Schlemmer funda um espaço contraído, construido na lógica de uma geometrização abstraccionista. Neste sentido, o figurino passa a ser a revelação de um corpo geométrico, que por sua vez existe nas circunstâncias espaciais do espaço envolvente. Assim, o corpo (natural) passa a ser a alma de um corpo geométrico capaz de circular por um certo espaço, com os seus limites, as suas linhas, as suas secções.
O figurino schlemmeriano é, finalmente, uma kunstfigure: ou seja (traduzindo à  letra) uma figura de arte. Na construção da kunstfigure fazem-se sentir as fontes seiscentistas, não apenas no plano das formas plásticas, mas também no plano de uma atracção pelo burlesco. Se a questão das fomas plásticas ganha em Schlemmer uma actualização abstraccionista, o gosto pelo burlesco encontra na Bauhaus um terreno de exposição.
No teatro da Bauhaus esta é na verdade uma das suas características: a inclinação pelo cómico-grotesco, pelo clownesco.
Uma outra característica que, de certo modo, precede esta e lhe é independente, tem a ver com a função primordial do elemento arquitectónico.