sexta-feira, junho 10, 2005

Escalas do Corpo

Numa perspectiva proxémica, o corpo realiza-se a 3 escalas: o público, o social e o espaço próprio. Em cada uma destas escalas, o espaço desdobra-se em subtis variações. Na escala íntima, o corpo não permite facilmente a entrada de outros corpos. A tendência natural seria pormo-nos a rosnar uns aos outros, sempre que alguém se aproxima demais. Por outro lado, como primatas, somos capazes de retirar um prazer especial dos contactos íntimos, desde que eles aconteçam dentro do grupo. Por exemplo, é óptimo ser catado e catar pulgas e outros parasitas aos amigos. O estado da paixão acontece quando o corpo deseja fortamente ser catado e catar não com todos, mas com aquele outro corpo específico. Neste sentido, a paixão tem qualquer coisa de anti-social, que subverte pelo menos temporariamente as redes estabelecidas no interior do grupo. Por outro lado, a paixão também pode reforçar o conhecimento do outro e fazer progredir o conhecimento sobre nós mesmos. É interessante e estranho ao mesmo tempo que esse espaço íntimo da paixão (de catar aquele outro em exclusividade) seja dominado pelo silêncio. Não o silêncio de nada se ter para dizer, mas pelo contrário o silêncio de que tudo está ser dito. A voz realiza-se então pelos dedos que procuram os parasitas na "tua" pele, entre os "teus" pelos e os "teus" ouvidos estão nos poros e na "tua" saliva.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"Por outro lado, como primatas, somos capazes de retirar um prazer especial dos contactos íntimos, desde que eles aconteçam dentro do grupo. Por exemplo, é óptimo ser catado e catar pulgas e outros parasitas aos amigos. O estado da paixão acontece quando o corpo deseja fortemente ser catado e catar não com todos, mas com aquele outro corpo específico."

Não encontraria melhor imagem para o(s) "toque(s)"

12:34 da tarde  

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