Sexta-feira, Julho 08, 2005

Do tempo das coisas

Todas as coisas têm o seu tempo. O universo está embebido em duração, o que significa que ele existe numa flecha do tempo: a flecha que vai do passado para o futuro. Cada homem e cada mulher acrescentam a este facto a consciência deste facto. O universo corre do passado para o futuro, o que significa que o meu corpo vai sentindo o envelhecimento e que a minha consciência vai lidando com isso de maneira mais ou menos tranquila. A minha consciência lida com a sensação de desaparecimento, de morte, e de duração. E é também isso que faz de mim humano. Mas a minha consciência diz-me que eu não sinto sempre da mesma maneira a flecha do tempo que passa. Por vezes, ela parece rápida, alucinante, outras frenética, por vezes hesitante, outras vezes ainda parece não seguir exactamente uma linha recta. Os historiadores sabem que o tempo, em história, não corre sempre da mesma maneira: sabem que existe o tempo longo das estruturas, o tempo médio das conjunturas e o tempo rápido dos acontecimentos. Em Portugal, existe uma tendência preocupante para confundir estes tempos. Po exemplo, quais as razões conjunturais para encerrar uma companhia de dança como o Ballet Gulbenkian? Não serão razões transitórias da natureza da espuma da onda?