Memória de Timor
Entre as montanhas, nos vales de Timor, existem árvores magníficas. São as madre-café, as árvores gigantes, de copas belíssimas, sob cuja sombra crescem os cafezais. Hoje penso que uma árvore assim, tão alta, tão digna, tão esplêndida, tem que ter raízes profundíssimas que hão-de alcançar forçosamente certos níveis infernais.
Cada monte tem sulcos, rugas ou cicatrizes, não sei. São talvez as lágrimas de Timor a abrirem linhas na terra viva da ilha. Nas imediações de Maubisse descemos por um desses caminhos, um carreiro interminável com a terra a esboroar-se sob as botas. Camuflado na paisagem, um timorense ia dizendo "direita", "esquerda", para evitar que nos perdessemos. Foi ele que nos indicou o caminho de volta ao quartel de Maubisse, antes que a noite caísse rápida, como sempre acontece nos trópicos.
A noite.
Cada monte tem sulcos, rugas ou cicatrizes, não sei. São talvez as lágrimas de Timor a abrirem linhas na terra viva da ilha. Nas imediações de Maubisse descemos por um desses caminhos, um carreiro interminável com a terra a esboroar-se sob as botas. Camuflado na paisagem, um timorense ia dizendo "direita", "esquerda", para evitar que nos perdessemos. Foi ele que nos indicou o caminho de volta ao quartel de Maubisse, antes que a noite caísse rápida, como sempre acontece nos trópicos.
A noite.


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