domingo, setembro 04, 2005

Coisas boas

Não sei se há alguma vantagem em fazer listas de coisas boas. Possivelmente não. Mas eu lembro-me claramente que uma das primeiras coisas boas que registei mentalmente foi a seguinte: é uma coisa boa entrar no corredor sombrio de minha casa, revestido de azulejos, num dia de intenso calor. Portanto, designo por coisa boa, aquilo que, num determinado contexto, desperta em mim um estado de percepções agradáveis. À medida que se envelhece, descobre-se mais claramente que uma coisa boa tem um tempo, uma duração, e uma velocidade. Se eu passasse demasiado rápido pelo corredor de minha casa, não chegaria para sentir na pele a desejada sensação de frescura; por outro lado, se eu permanecesse lá demasiado tempo, a frescura transformar-se-ia em frio. Em qualquer caso, aquela coisa boa está entre duas margens.
Estas férias experimentei cobrir o corpo com algas num SPA. Como desconhecia os tempos adequados de envolvimento, a sensação inicial agradável transformou-se, para mim, numa sensação ártica. O meu corpo começou a sentir-se como se a minha boca estivesse invadida por peppermint; ou seja, o meu corpo transformou-se verdadeiramente num reino de frescura absoluta que me fez bater os dentes enquanto não me esfreguei sob um chuveiro morno. Mas, foi bom, apesar de tudo. E suponho que poderá entrar na lista de coisas boas, quando eu aprender a dominar a intensidade e a duração.