terça-feira, novembro 08, 2005

Hotel Timor

As paredes entrançadas têm o falso brilho do verniz. Uma camada de civilização sobre a flora seca de Timor. Por baixo, silenciada, está talvez uma voz maubere. Não se ouve falar tétum no bar do Hotel Timor. Apenas português e inglês. Alguns de nós, "malai", usamos vocábulos breves, "mana" sobretudo para chamar a empregada. Há uma menina com o rosto redondo dos javanezes a servir à mesa. Tem um belo sorriso, que não desbarata inutilmente. Olho-a, cruzo com ela uma certa expressão, o rosto dela abre-se e o sorriso torna-se mais visível. Fora desses momentos existe uma certa e vaga tristeza no seu rosto. Ainda assim, gosto dos gestos dela e até da dimensão pequena do seu corpo. Há uma delicadeza que atravessa os seus movimentos, um breve cheiro de encontro, uma subtil simpatia.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Posso-te levar aos "warung" onde a mocinha se encontra para comer "bakso" com os amigos, mas provavelmente ficaras com um desarranjo intestinal se comeres "na'an-teen"... ;-) Um malai metan meu amigo apanhou uma tenia com essas brincadeiras.

Um malai que quer ser menos malai tem que cometer o "suicidio de classe" - pelo menos de vez em quando :-)

Ainda nao falei aqui hoje de galinhas esventradas, pois nao? Pois vamos la... e foi nesse momento que o velho lian-na'in cujas rugas profundas faziam supor que teria pelos menos uns duzentos anos arrancou com um safanao o figado do galo e olhando para ele interpretou: "Parece-me que sempre vou conseguir comprar a antena parabolica para ver o RCTI afinal de contas!..."

Nota: RCTI e' um canal indonesio

12:36 da tarde  

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