sexta-feira, dezembro 30, 2005

O Histrião medieval

[a partir de um texto do final do século XIII]
“Há três tipos de histriões. Alguns transformam o corpo com torpes movimentos e gestos obscenos desnudando-se ou envergando máscaras horríveis: esses são condenáveis se não abandonam o seu ofício. Outros não trabalham e vivem vagabundeando como criminosos, sem casa, seguem as cortes dos senhores e caluniam os ausentes (…) são chamados bobos errantes porque para nada servem senão para a devassidão e a maledicência. Há depois um terceiro género de histriões que possuem instrumentos musicais (…). Alguns deles frequentam tabernas e companhias desonestas e nesses lugares cantam canções obscenas. Também esses são condenáveis como os outros. Mas há outros, chamados jograis, que cantam as gestas e as vidas dos santos que oferecem alívio aos homens e não cometendo todas aquelas torpezas que os outros cometem(…) Estes últimos podem ser tolerados.” (cit. Por Brocchieri, 75).
“Na tradição dos primeiros cristãos, os histriões são tratados como as prostitutas e Santo Agostinho proibiu-os mesmo de receber os sacramentos. Os actores e os músicos são tidos como portadores de desgraças e aliados do demónio. A respeito deles, os sínodos e os concílios revelam uma nítida hostilidade. Com o decorrer dos séculos, mudam os termos que definem as actividades artísticas, mas a condenação mantém-se, quer nas actas jurídicas quer nos tratados teológicos ou na oratória sagrada.” (LE GOFF, 1989, 243)

1 Comments:

Blogger lukuel said...

muitiiiiiiissimo bem colocado o significado....
Estou pesquisandos palavras extraidas do livro "O nome da Rosa"....

11:46 da tarde  

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