Sexta-feira, Abril 08, 2005

grupo de guerrilha


grupo de guerrilha
Originally uploaded by daniel tércio.
Gravura (água tinta) da minha autoria, dos anos 80, retrabalhada em photoshop.
Do tempo em que ainda se falava em "guerrilha urbana".

Quinta-feira, Abril 07, 2005

Uma empresa portuguesa em 2075

Ao encomendar um contentor com artefactos de Lira-4, Américo Sestelo sabia que não estava a seguir completamente aos regulamentos de importação da UE. A encomenda era de artefactos nativos de humanos de Lira, que incluiam materiais biológicos exóticos. Américo preparara um relatório detalhado explicando que os materiais biológicos citados eram apenas casulos biológicos desactivados de lirões, as ensimesmadas criaturinhas felpudas que passavam por metamorfoses no distante planeta. Porém, os eurocratas de Bruxelas não tinham engolido a explicação. Assim, Américo tivera que recorrer aos cripto-circuitos asiáticos. Oleara as mãos de um punhado de funcionários da alfândega e das finanças, e arranjara no mercado negro uma caixa de puros havanos para Ho, o diplomata de contacto, no entreposto orbital de Nova Taiwan. Américo, que era um tipo certinho, não o fez de ânimo leve. Mas, a sobrevivência da Sestelo Lda. dependia de uma manobra daquela espécie. Durante os dias em que a transacção devia acontecer, Américo esteve agitado. Uma dose redobrada de ciber-sexo e a humilhação do velho Almeida, o funcionário que tratava dos pagamentos, foram panaceias para a angústia. Finalmente, a encomenda chegou. Pela porta do cavalo, por assim dizer. O problema agora era o cheiro dos casulos dos lirões. Fediam. Américo alugou uma câmara frigorífica na antiga zona da docapesca e começou a preocupar-se com a distribuição do produto. O normal seria as vendas a retalho processarem-se através da net, mas Américo receava que a os ciber-polícias o viessem a apanhar na curva. Assim, teve que recorrer aos contactos do Casal Ventoso e fazer a coisa manualmente. Enquanto isto acontecia, aconteceram em Lisboa diversas quebras de energia: uma derivada de um atentado perpetrado pelos autonomistas da Madeira, duas por causa da incompetência dos funcionários da central e uma quarta decretada pelo governo como medida para poupar energia. Em consequência, as câmaras frigoríficas da docapesca estiveram desligadas intermitentemente durante cerca de 43 horas. Quando Américo levou, pela calada da noite, os vendedores do Casal Ventoso à câmara frigorífica, era tal o fedor, que os homens, embora habituados a duras condições de trabalho, se recusaram a fazer o serviço sem as devidas contrapartidas. Mais, se ele, Américo, não cumprisse com o combinado, eles, os distribuidores, denunciá-lo-iam às competentes autoridades. Américo, que estava praticamente falido, pediu um empréstimo para pagar ao pessoal da distribuição. Para conceder o empréstimo, o banco exigiu uma auditoria à Sestelo Lda. Sabendo de antemão que a coisa não ia funcionar, Américo reuniu os tostões que sobravam na empresa, comprou uma passagem de avião para o Brasil e passou a vender pastelinho nas praias do nordeste.

Quarta-feira, Abril 06, 2005

Virtudes esquimós

Diz-se que os esquimós têm numerosas e raras virtudes. Têm fama de extraordinariamente hospitaleiros. Além disso, na sua língua não existe um termo para a guerra. Em compensação têm diversas palavras para designar aquilo a que chamamos neve.

Terça-feira, Abril 05, 2005

Que fazer com esta… Mãe

Serenamente, a mulher sem pernas sentada à beira do passeio aceita o que lhe resta da sua criança, agora recolhida pelos braços da morte.
Uma lágrima acaba de limpar nela as lembranças de como, apesar da guerra, foi feliz no momento de “lhe nascer” no kimbo, lá no sul.

(Que o Papa descanse em paz, já agora.)

o pecado mora ao lado


o pecado mora ao lado
Originally uploaded by daniel tércio.
50 anos passaram sobre o filme de Billy Wilder

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Satisfaction...

Escuto "I can't get no satisfaction" enquanto sobrevoo o meu próprio blog. A versão que ouço é interpretada por PJ Harvey e por Bjork e fui buscá-la à net. Parece que o lamento dos Stones se tem prolongado pelos anos fora. A sua força não tem diminuido. Há sempre novas entoações para declarar a perda. Desde sempre. Desde o tempo de Adão. Continuamos a perder o éden, em cada minuto que passa.

cromas

cromas
Originally uploaded by daniel tércio.

Domingo, Abril 03, 2005

2 jogos literários para a Net

JOGO 1 - circunferência virtual
ou construção de uma narrativa linear

1. Após apresentação das pessoas, o tutor organiza uma “circunferência virtual” com os participantes.
2. Fica assim estabelecida uma cadeia. Cada participante deverá receber mensagem do colega que se situa no ponto anterior da cadeia e enviar para o colega que se situa no ponto seguinte da cadeia.
3. Um dos participantes, indigitado pelo tutor, começa por escrever uma frase inacabada, constituida por cinco palavras. Por exemplo, “Quando o lagarto perdeu a”… e passa-a ao colega seguinte da cadeia.
4. Este deverá acrescentar mais 5 palavras, de forma a dar seguimento à frase anterior.
5. Passando pelos diversos participantes, a “história” vai crescendo.
6. A história deverá ser orientada para um fim à medida que se aproxima do participante que a iniciou. A este competirá dar-lhe uma conclusão.

JOGO 2 - círculo virtual
ou criação de uma lenga-lenga

1. Os participantes mantêm-se todos presentes no chat de forma livre.
2. O tutor propõe uma frase curta para início do jogo. Exemplo: “Dez bailarinas deslizam”
3. Cada participante tem inteira liberdade para acrescentar uma frase à anterior, com a condição de não repetir a sua intervenção duas vezes seguidas.
4. O participante que retomar a frase incial, dará fim à lenga-lenga.
5. O resultado poderá ter uma aparência semelhante à seguinte: “Dez bailarinas deslizam / numa casca de banana / duas sardinhas no mar / três a conta que deus fez / quatro golfinhos que vi / cinco, os dedos d’uma mão / meia dúzia de maçãs / sete idas a Gibraltar / oito tipos matulões / nove vezes escorreguei / numa casca de banana …”

silvestre II


silvestre II
Originally uploaded by daniel tércio.
O monge Gerbert D'Aurillac que veio a ser Papa Silvestre II.
Antes dos seus estudos, a ciência matemática era praticamente inexistente no ocidente. Foi este monge um dos primeiros a ensinar os algarismos árabes na Europa cristã.