Oprah
A televisão por cabo trouxe aos lares de todo o mundo - incluindo Portugal - o programa da Oprah. Oprah tem conduzido talkshows de extraordinário êxito na América. A oprahmania no entanto não se limita ao continente americano; os fãs multiplicam-se por todo o mundo e ficam agarrados ao televisor para assistir embasbacados às entrevistas conduzidas pela popular apresentadora. Pessoalmente, não me encontro entre os fãs da Oprah, mas reconheço que a senhora é competente naquilo que faz. E reconheço também que e história pessoal da Oprah - uma mulher oriunda de uma família afro-americana muito pobre, que foi conquistando o seu lugar no mundo - funciona bem no mito norte-amerioano do self made man, com a vantagem de o "actualizar" de acordo com as tendências feministas e as quotas étnicas das sociedades contemporâneas.
Mas há uma coisa que me irrita profundamente no programa da Oprah: são os sorrisos e os acenos de cabeça daquela gente (na maioria mulheres) que enche o auditório, gente que a Oprah interpela de vez em quando como representativa do público. Um exemplo: uma senhora que tem sido objecto de sucessivas cirurgias plásticas é entrevistada pela Oprah; o marido da senhora está ao lado, e diz que não suporta mais que a esposa continue a fazer cirurgias; a senhora, chorosa, confessa que não consegue viver sem planear (e sobretudo ser submetida) a nova cirurgia; Oprah faz uma série de comentários a partir de lugares comuns do tipo 'onde está a felicidade', 'se não gostamos de nós próprios, ninguém gostará de nós' e coisas do tipo... Pelo meio as câmaras varrem o público e fixam-se nesta ou naquela pessoa, nas feições compungidas, nos acenos de concordância, ou nos olhares de compreensão.
De vómitos!
E eu pergunto, surpreendido: mas não haverá realmente ninguém a lançar uma boa e velha gargalhada a semelhante enormidade ?!! É sobretudo isso que falta ao programa de Oprah: uma gargalhada. Dezenas de gargalhadas. O sentido do ridículo.
Na verdade, o programa da Oprah está demasiado cheio de um humano fictício. De plástico. Um hamburguer do humano...
Mas há uma coisa que me irrita profundamente no programa da Oprah: são os sorrisos e os acenos de cabeça daquela gente (na maioria mulheres) que enche o auditório, gente que a Oprah interpela de vez em quando como representativa do público. Um exemplo: uma senhora que tem sido objecto de sucessivas cirurgias plásticas é entrevistada pela Oprah; o marido da senhora está ao lado, e diz que não suporta mais que a esposa continue a fazer cirurgias; a senhora, chorosa, confessa que não consegue viver sem planear (e sobretudo ser submetida) a nova cirurgia; Oprah faz uma série de comentários a partir de lugares comuns do tipo 'onde está a felicidade', 'se não gostamos de nós próprios, ninguém gostará de nós' e coisas do tipo... Pelo meio as câmaras varrem o público e fixam-se nesta ou naquela pessoa, nas feições compungidas, nos acenos de concordância, ou nos olhares de compreensão.
De vómitos!
E eu pergunto, surpreendido: mas não haverá realmente ninguém a lançar uma boa e velha gargalhada a semelhante enormidade ?!! É sobretudo isso que falta ao programa de Oprah: uma gargalhada. Dezenas de gargalhadas. O sentido do ridículo.
Na verdade, o programa da Oprah está demasiado cheio de um humano fictício. De plástico. Um hamburguer do humano...


