Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Aviso a Mijões

Cartaz
Cartaz
Originally uploaded by daniel tércio.
Aviso afixado em um lugar de fruta na praia de S. Jacinto, Aveiro. Agosto de 2005

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Escatologia

As visões apocalípticas podem ser assustadoras. Mas são um estímulo formidável para viver intensamente a vida.
É certamente muito significativo que duas das principais religiões do mundo - o cristianismo e o islamismo - estabeleçam a ideia do fim do mundo, que é também o fim do tempo. São duas religiões que todos reconhecerão fundamentais na construção da civilização ocidental. Em ambas existem visões escatológicas do tempo. Isto é, visões que fazem o mundo temporal desaguar numa imensa e definitiva caganeira. A escatologia também tem a ver com isto, com merda, com tumultos intestinais.
Nas sociedades civilizadas o tempo é concebido como uma imenso intestino, que por muitas dobras e torcidas que dê, pode ser esticado como um imenso tubo. Esse tubo vai ter ao ânus. O ânus é uma região mágica. O lugar do anjo caído. O ponto que, quando é convenientemente estimulado, concede a terceira visão. Era por isso que nos sabaths das bruxas um dos rituais era beijar o olho do cu para se obterem revelações.
Portanto, o fim do mundo é o olho cu. Nos ânus, os homens não se distinguem das mulheres. E é no ânus que o tempo acaba, ou se preferirem que o tempo se dissolve, que tudo se dissolve, até a diferença de género sexual. Do ânus sai o Anti-Cristo e o Cristo renascido, a dor e o prazer. O mundo todo.

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

O Colete reflector

Os condutores portugueses, que facilmente se esquecem do macaco para mudar uma roda, ou de verificar a pressão do pneu sobressalente, e que vociferam amiúde contra as obrigações fiscais, receberam de braços abertos o colete reflector. Não deixa de ser notável esta feliz adesão. É realmente grande e profunda a simpatia que a generalidade dos portugueses nutre por aquela peça de roupa utilitária e preventiva! De tal forma que a obrigatoriedade de a trazer em local acessível na viatura passa, em muitos casos, a significar que o banco do condutor fica “vestido” de amarelo esverdeado ou de laranja gritante. Há também os casos, cada vez mais comuns, dos condutores que envergam o coletinho mal entram na viatura e que conduzem orgulhosamente pelas estradas nacionais. A transpirar que nem cavalos, claro, mas dentro da lei, decididamente! Se viajam para o estrangeiro, então, é a glória! Porra – pensam - nós somos portugueses! Não se vê logo, enfiados em coletes de cores brilhantes, como bons cidadãos europeus?! Melhores que vocês certamente, sua cambada de maricas armados em civilizados!
Há até alguns fundamentalistas do colete reflector: soube do caso de um professor que dá aulas assim vestido e o caso de outro funcionário público que atende o público em preparos semelhantes.
Notável! Suspeito que se o governo decretasse que todos os peões deveriam a partir de amanhã usar chapelinho com pena de pato, o pessoal aderiria com a mairo das felicidades.
Para já: viva o colete reflector!