As visões apocalípticas podem ser assustadoras. Mas são um estímulo formidável para viver intensamente a vida.
É certamente muito significativo que duas das principais religiões do mundo - o cristianismo e o islamismo - estabeleçam a ideia do fim do mundo, que é também o fim do tempo. São duas religiões que todos reconhecerão fundamentais na construção da civilização ocidental. Em ambas existem visões escatológicas do tempo. Isto é, visões que fazem o mundo temporal desaguar numa imensa e definitiva caganeira. A escatologia também tem a ver com isto, com merda, com tumultos intestinais.
Nas sociedades civilizadas o tempo é concebido como uma imenso intestino, que por muitas dobras e torcidas que dê, pode ser esticado como um imenso tubo. Esse tubo vai ter ao ânus. O ânus é uma região mágica. O lugar do anjo caído. O ponto que, quando é convenientemente estimulado, concede a terceira visão. Era por isso que nos sabaths das bruxas um dos rituais era beijar o olho do cu para se obterem revelações.
Portanto, o fim do mundo é o olho cu. Nos ânus, os homens não se distinguem das mulheres. E é no ânus que o tempo acaba, ou se preferirem que o tempo se dissolve, que tudo se dissolve, até a diferença de género sexual. Do ânus sai o Anti-Cristo e o Cristo renascido, a dor e o prazer. O mundo todo.