Quarta-feira, Agosto 17, 2005

Livros obrigatórios

Podiam ser outros, mas são estes...
11 Livros que recomendo, não apenas para as férias, mas para a vida toda:

Marguerite Duras – O Amante.
Fiódor Dostoiévski - Crime e Castigo.
Goethe – A paixão do Jovem Werther.
Vladimir Nabokov - Lolita.
Franz Kafka – A Metamorfose.
Ernest Hemingway – O Velho e o Mar.
Thomas Mann – Morte em Veneza.
Yukio Mishima – Confissões de uma Máscara.
Thomas Mann – Montanha Mágica .
Marguerite Yourcenar – A Obra ao Negro.
Robert Musil – O Homem sem Qualidades.

Terça-feira, Agosto 16, 2005

Lusitano espírito construtivo

Antigamente, aprendia-se nos bancos da escola que os portugueses eram empreendedores e senhores de uma capacidade construtiva invulgar. Nas entrelinhas, toda a gente sabia que a capacidade construtiva lusitana era basicamente um certo jeito para o improviso; ou seja, que o pessoal se foi desenrascando ao longo da História. Depois de 1974, a capacidade construtiva dos portugueses revelou-se de uma nova forma. O contexto ajudou... Com o congelamento das rendas de habitação, uma grande parte dos portugueses teve que pensar seriamente em comprar casa. É claro que já existia uma certa predisposição para isto: ter uma casinha sua é uma daquelas coisas que todo o português deseja.
Uma casinha nossa é, antes de mais, uma oportunidade única de exercer a capacidade construtiva. Por exemplo: um casal de portugueses vai ver um andar modelo, suponhamos, com uma sala e dois quartos; o apartamento agrada, é certo, porém, se o negócio se consuma, a primeira coisa que se faz é mandar fechar a varanda com uma estrutura de alumínio e acrescentar qualquer coisa na marquise e finalmente ganhar mais um quarto, dividindo a sala ao meio. Há também o contrário: se o apartamento tem três quartos e uma sala, um português de gema não descansa enquanto não mandar abaixo uma parede, de forma a ficar com uma sala de jeito, ou seja, um salão. Todas as pessoas que vivem em prédios de apartamentos sabem que pela vida fora vão escutar batuques, marteladas, pneumáticos (sobretudo entre as oito e as dez da madrugada), comandados por vizinhos orgulhosos das transformações construtivas; nos momentos de sossego, esses mesmos que se queixam e resmungam pelo barulho que os outros fazem hão-de planear novas obras no seu próprio cantinho: mudar os degraus da escada, abrir uma passagem para umas águas-furtadas, deitar abaixo uma parede, construir uma garrafeira, levantar outra parede, abrir um nicho numa terceira, ou inventar uma lareira decorativa. É o nosso espírito construtivo!

Domingo, Agosto 14, 2005

O Riso de Baudelaire

Na mentalidade cristã, é comum identificar-se o "homem sábio" com o "homem sério". À letra, o homem sério é aquele que não ri, tal como o Deus cristão não riu quando fez os céus e a terra e as plantas e os animais e o homem. Pelos vistos, nem sequer se riu quando fez a mulher. A propósito do riso, e da dificuldade em o cristianismo o integrar no divino, Charles Baudelaire tem um belo texto, de onde extraio o seguinte excerto:
"O Homem Sábio treme por ter rido; o Homem Sábio receia o riso, assim como receia os espectáculos mundanos, a concuspiscência. Detém-se à beira do riso como à beira da tentação. Existe, portantto, segundo o Homem Sábio, uma certa contradição secreta entre o seu carácter de homem sábio e o carácter primordial do riso. Com efeito, aflorando apenas recordações que são mais do que solenes, faço notar, - o que corrobora perfeitamente o carácter oficialmente cristão desta máxima, - que o Homem Sábio por excelência, o Verbo Incarnaddo, nunca se riu. Aos olhos Daquele que tudo sabe e tudo pode, o cómico não existe. E no entanto o Verbo Incarnado conheceu a cólera, e mesmo as lágrimas.
(Baudelaire, Da Essência do Riso, ímanedições)