O Bosque inacabado
Era uma vez uma jovem mulher que vivia, ela e o seu cão, na orla de um bosque. Era uma vez um poeta que tinha deixado de dizer poemas. Certo dia, durante um passeio, o poeta foi ter ao bosque, onde se embrenhou sem hesitações. Caminhou por uma vereda estreita e sinuosa apreciando as flores silvestres, as altas ramadas, aspirando o perfume da terra, escutando os trinados dos pássaros e o vento que soprava entre as copas das ávores. A meio do caminho o poeta encontrou a jovem mulher que colhia cogumelos. Na verdade, foi ela que o viu primeiro, mas nada disse. O poeta aproximou-se da mulher e sentiu que o amor que lhe enchia o peito podia ser outra vez nomeado. O poeta recuperou a inspiração e a jovem mulher tornou-se uma bruxinha encantadora. Porém, desta curta história, não ficaram nem poemas, nem encantamentos, só o bosque sobrou.
Esse bosque tinha um espírito exótico que lera, sabe-se lá como, a Vénus das peles do cavaleiro Sacher-Masoch. Em certos dias, o viajante descuidado que se embrenhasse profundamente no arvoredo arriscava-se a ser açoitado pelas ramagens espessas, e a ter a carne ferida pelos silvedos e a pele irritada das urtigas. Noutros dias, porém, nos dias em que o sol morno abria clareiras no arvoredo, quem se desse ao trabalho de juntar as letras gravadas nos troncos das árvores descobriria uma outra história.
Esse bosque tinha um espírito exótico que lera, sabe-se lá como, a Vénus das peles do cavaleiro Sacher-Masoch. Em certos dias, o viajante descuidado que se embrenhasse profundamente no arvoredo arriscava-se a ser açoitado pelas ramagens espessas, e a ter a carne ferida pelos silvedos e a pele irritada das urtigas. Noutros dias, porém, nos dias em que o sol morno abria clareiras no arvoredo, quem se desse ao trabalho de juntar as letras gravadas nos troncos das árvores descobriria uma outra história.

