Pesadelo de Darwin
Saí há poucas horas do Nimas, onde assisti a «O Pesadelo de Darwin». Filme documentário, realizado em 1996 pelo austríaco Hubert Sauper, o filme é verdadeiramente impressionante. Nos dias que correm, é certo que imagens semelhantes àquelas passam diariamente nos canais de televisão e provavelmente não tiram o sono a ninguém, nem sequer o apetite das famílias que mantêm os televisores ligados para ocupar os silêncios da mesa farta. Mas, ali, na sala escura de um cinema, somos talvez obrigados a ver mais, a ver durante mais tempo. Não é fácil. Há alturas onde apatece sair, vir respirar um pouco da vulgaridade fria da Europa. A quem fica (julgo que hoje nenhum espectador saiu da sala) é oferecida uma visão negra de um lugar mítico: o Lago Victoria, na Tanzânia, considerado o berço da Humanidade. Actualmente, esta paisagem é um cenário de pesadelo. A miséria, a fome e a sida convivem com uma espécie de praga de percas do Nilo, peixes que atingem dimensões gigantescas e que são pescados, transformados em filetes e exportados para uma Europa que ignora o que se passa na origem. O filme dá a ver a catástrofe ecológica e a miséria humana. No mais fundo. Um murro no estômago. Terrível.


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