quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Não, a «Própria Lixa» não está no quarto 25

Havia tempo que não saía de Luanda. Coisas da guerra... Mas ali estava eu olhando uma paisagem verde cortada por uma serpente de lama vermelha. Cheguei-me à frente. Do ar podia ver a impressionante ravina que conhecia da televisão e que rasgava no solo um sulco profundo. Lwena continuava em perigo.
«- O quarto 25 é bom, sai água um bocado quente», falou o empregado do hotel engraçado na sua farda gasta de há bwé. Atirou o meu saco preto para dentro do quarto e saiu mas rápido que o meu gesto de procurar uma nota dentro do bolso dos jeans. (Ainda bem, pois não sabia quantos Kwanzas lhe dar.)
Os «dirigentes» do Ministério ficaram numa ala onde os quartos tinham alcatifa e ar condicionado. Eu não corri esses riscos; calhei no corredor dos «técnicos» e... dos artistas.
O quarto 25 não tinha ar condicionado, nem alcatifa, nem água quente e cheirava fortemente a insecticida. Não havia baratas (deviam estar atordoadas como eu).
A minha porta ficava elevada do chão uns quatro centímetros. «Dormi» com a luz acesa para não dormir e dar conta de algum rato que entrasse. Receava ainda que alguém me irrompesse pelo quarto a dentro pois o trinco mal prendia a porta que abanava ao mínimo movimento.
Passei uma noite infernal, de barulho até às duas com recomeço às seis da manhã. O novo dia encontrou-me de mau humor. Foi quando me bateram à porta.
- Bom dia.
- Bom dia.
- Desculpe, a moça é a própria lixa?
- Perdão?!!!
- A própria lixa.
- Própria lixa?????
- Sim, a kudurista.
- Acha-me com cara de kudurista?
- Não sei, né?... Podia ser...
- Pois... mas não sou!
Fechei a porta estragada, mas com o número 25 em belos algarismos dourados.

2 Comments:

Anonymous Cangonja said...

Dançando, tecnicamente lixada, estavas lá! E isso é o importante.

6:23 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Eu confirmo k propria lixa dança tecnicamente bem, e ñ sei pork tanto ar de desprezo por ela e pelos cu duristas em si.

8:53 da manhã  

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