domingo, maio 07, 2006

Noticias de Dili

As pessoas que sabem que estive em Timor perguntam-me frequentemente a opinião sobre o que lá se passa. Não é fácil responder. As notícias que chegam são poucas. Os sms dos amigos que lá ficaram procuram tranquilizar mais do que esclarecer. É claro que eu tenho uma opinião sobre os acontecimentos. Uma opinião feita de diversas impressões com que regressei de Díli em Dezembro passado. A primeira impressão é de que Mari Alkatiri está longe de ser uma pessoa amada pelos seus concidadãos; as pessoas reais com quem falava não eram propriamente adeptos do actual primeiro-ministro e chegavam a levantar algumas suspeitas (porventura sem fundamento) sobre o estilo da governação. Uma segunda impressão tem a ver com os índices de desemprego: é ralmente assustador a quantidade de pessoas sem emprego, que deambulam pela cidade; perguntava-me frequentemente de que é que essas pessoas viviam. Uma terceira impressão tem a ver com a construção dos aparelhos de Estado; existia realmente uma polícia a funcionar e um exército que vivia a dificuldade da integração dos comandantes das antigas forças da resistência. Eu sentia também que os conflitos ancestrais entre os grupos etno-linguísticos, embora muito mitigados com a independência, continuavam latentes. Finalmente, a impressão de que a civilização é uma construção frágil e, às vezes, a sensação da estrutura social timorense como a de uma sociedade de crianças (talvez por causa da enorme quantidade de população jovem). É possível que o conflito se resolva, que alguns abraços entre irmãos acabem com mais esta ameaça à jovem e frágil democracia timorense. Desejo que assim seja. Desejamos todos que assim seja, mesmo sabendo que nada é fácil.